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O 10° Salão do Livro do Piauí (Salipi),que será realizado de 10 a 17 de junho de 2012, no Complexo Artístico e Cultural da Praça da Pedro II, conta com a parceria da Secretaria Estadual da Educação e Cultura do Piauí (Seduc). O Salão deste ano homenageará o teatrólogo piauiense Francisco Pereira da Silva (Chico Pereira).
“O governo do Estado, através da Seduc, é um parceiro de primeira ordem para nós. O Salão tem estrutura histórica porque nós temos uma parceria institucional com a Seduc desde o 1°, em 2003”, explica o professor e um dos organizadores do 10° Salão do Livro, Luís Romero.
Serão destinadas vagas para o Programa Língua Viva, que é um evento dentro do Salão do Livro destinado a professores, pesquisadores e interessados. O professor diz ainda que “o Língua Viva é um instrumento muito forte de atualização da língua e de conhecimentos em torno das novidades relativas à literatura, teoria da literatura e à capacitação”.
Um dos idealizadores do Salipi, o professor Cineas Santos, disse que a realização do Salão é importante por ser um agente transformador do Estado e que por isso, pertence à toda sociedade piauiense.
“Nós queremos mudar a mentalidade do Piauí e só se muda com o livro. Mesmo com todas as ferramentas tecnológicas que surgiram, o livro faz parte do kit de sobrevivência da gente”, afirmou Luís Romero.
Quem gosta de literatura ou tem curiosidade de embarcar no mundo cultural já pode garantir sua participação no 15º Seminário Língua Viva que acontece paralelo ao Salão do Livro do Piauí (Salipi) no período de 10 a 17 de junho em Teresina. Como as inscrições são limitadas, a Fundação Quixote, responsável pelo Seminário, sugere aos interessados que garantam suas vagas com a maior antecedência possível, pelo site www.salipi.com.br/inscricao
No seminário serão apresentadas palestras de grandes nomes do universo acadêmico e cultural. Estão confirmados os autores Crsitóvão Tezza, Ignácio de Loyola Brandão, José de Nicola e as palestrantes estrangeiras Isabel Ferreira (Angola), Roxana Pineda (Cuba) e Ana Luisa Amaral (Portugal).
Quando indagam sobre os critérios que levam alguém a ser considerado um grande escritor, geralmente respondo que o tempo, dentre outros, é o mais confiável de todos. Explico: caso um autor continue a ser lembrado depois de ter partido há vários anos, é sinal que a sua obra tem substância e não foi produzida à toa. Nelson Rodrigues, nosso maior teatrólogo, é um bom exemplo disso. Nunca ele foi tão lido e comentado na vida como 2012, ano em que se comemora seu centenário de nascimento. Além de Pernambuco, sua terra natal, a celebração da data toma conta do restante do Brasil, com os amantes do teatro e da boa literatura lhe rendendo justa e merecida homenagem. Até dezembro, seus fãs antigos, e os que surgem a cada momento, poderão matar saudade com a leitura de títulos reeditados e peças remontadas.
Que ninguém se iluda, porém, que vai amá-lo numa primeira leitura. Ao contrário, estranheza e revolta são os sentimentos que brotam de imediato. Afinal, Nelson Rodrigues não se propôs a mascarar a realidade, mas pintá-la nua e cruamente, com enfoque especial no ser humano, tema privilegiado em sua vasta obra. Não sendo diferente dos demais leitores, passei também por esse constrangimento ao ler O beijo no asfalto, uma de suas tragédias mais polêmicas. A história, que se passa no Rio, choca o leitor desde o começo: atendendo ao pedido de um jovem moribundo, Arandir se vê obrigado a beijá-lo na frente de todos, inclusive de um repórter de jornal sensacionalista, que estampa a foto na primeira página da manhã seguinte. Incompreendido no inocente gesto, ele acaba expulso de casa por Selminha e, depois, assassinado pelo sogro. Motivo: o velho, tomado por um ciúme doentio, não aceitava que Arandir houvesse beijado outro homem, e não ele.
Como visgo, os textos de Nelson Rodrigues nos mantêm preso desde o primeiro instante. Difícil é querer a liberdade depois de tamanho impacto e encantamento. Sua obra compreende dezessete peças de teatro, um romance e oito folhetins (seis assinados por “Suzana Flag”, um por “Myrna” e um com o seu próprio nome). Um grande número deles adaptado para o cinema e a televisão, como sempre despertando amor e ódio entre as pessoas, sobretudo ao abordar temas nada convencionais do tipo incesto, taras sexuais, adultérios e perversões comportamentais. Daí se compreender o epíteto de “O anjo pornográfico” recebido dos críticos e admiradores. Marco renovador da dramaturgia nacional, Vestido de noiva, peça de caráter psicológico, ainda hoje mexe profundamente com o imaginário cultural do nosso “respeitado” público.
Se como teatrólogo foi genial, inigualável se tornou como frasista, capaz de demolir arraigados valores perpetuados ao longo de nossa existência. Relembrar algumas de suas tiradas é uma forma de mantê-lo vivo entre nós, bem como de homenageá-lo em data tão significativa.
“Nenhuma mulher trai por amor ou desamor. O que há é o apelo milenar, a nostalgia da prostituta, que existe ainda na mais pura”.
“Todos nós somos mais ou menos infelizes. As angústias estão crispadas dentro de nós como víboras”.
“O amigo trai na primeira esquina. Ao passo que o inimigo não trai nunca. O inimigo é fiel. O inimigo é o que vai cuspir na cova da gente”.
“Há homens que, por dinheiro, são capazes até de uma boa ação”.
“Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata”.
“O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda”.
“Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”.
O prefeito Elmano Férrer anunciou nesta sexta, 4, a parceria da Prefeitura de Teresina em mais uma edição do Salão do Livro do Piauí. O anuncio foi feito durante reunião com os organizadores do evento Luiz Romero, Jasmine Malta e Edilva Lima, no Palácio da Cidade. Além do prefeito, participaram da reunião a secretária municipal de Finanças, Vanessa Neiva, e o secretário municipal de comunicação, José Maria.
Para o professor Luiz Romero, a parceria da Fundação Quixote, entidade responsável pela realização do Salipi, com a Prefeitura, é essencial para a realização do evento. “Dependemos da colaboração dos órgãos públicos, e a prefeitura sempre está ao nosso lado”, afirmou, completando que o prefeito Elmano Férrer tem interesse genuíno no crescimento do Salão.
De acordo com o prefeito Elmano Férrer, a Prefeitura de Teresina não poderia ficar de fora do Salipi pela grande importância do evento para a cultura. “O Salão já faz parte do calendário do piauiense, e consegue transpor barreiras a cada ano”, afirmou.
Uma das solicitações apresentadas pela equipe do Salipi foi a iluminação da Praça Pedro II. “Já estamos trabalhando na melhoria da iluminação em toda cidade, e certamente a Praça será beneficiada”, afirmou Elmano, completando ainda que será feito um embelezamento do espaço, completo com poda de árvores e pequenos trabalhos de pintura. Além disso, o prefeito disponibilizou auxilio com a infraestrutura do Salipi.
O evento, que já homenageou escritores como Fontes Ibiapina, Da Costa e Silva, H. Dobal e Raimundo Santana, este ano celebra o teatrólogo Francisco Pereira da Silva e traz o tema “O fim do mundo é não ler”. O Salipi acontece no período de 10 a 17 de junho, na Praça Pedro II, e já estão confirmadas as participações de Bruna Lombardi, José Castelo, Cristovão Tezza, José de Nicola, Paulo José Cunha e Lorena Menor.
A atriz e escritora Bruna Lombardi cancelou sua participação na décima edição do Salão do Livro do Piauí. Segundo a escritora, gravações para seu próximo filme e uma série de compromissos contratuais acabaram atrapalhando a sua vinda ao Piauí.
Em sua décima edição o grande homenageado será o teatrólogo piauiense Francisco Pereira da Silva, e serão lembrados ainda o centenário de nascimento do cantor Luiz Gonzaga, do dramaturgo Nelson Rodrigues e do escritor Jorge Amado.
Com o tema “ O fim do mundo é não ler” o Salipi acontece no período de 10 a 17 de junho, na Praça Pedro II. Os autores confirmados são os piauienses Adriano Lobão, Antônio Noronha, Bárbara Olímpio, Cineas Santos, Graça Targino, Paulo José Cunha, Arimatan Martins. Os palestrantes nacionais são Ignácio de Loyola Brandão, Cristovão Tezza, José Castello, Sônia Rodrigues, José de Nicola, Marcelino Freire e Sérgio Sant’Anna. As palestrantes internacionais são a angolana Isabel Ferreira, a cubana Roxana Pineda e a portuguesa Ana Luisa Amaral.
Inscrições
As inscrições para o Salão do Livro do Piauí podem ser realizadas pelo site www.salipi.com.br ou na sede da Fundação Quixote, na rua David Caldas, 231, Centro Sul. Informações: 3221-8159.
—————————————————————————— Mais informações
Marina Farias – Assessoria de imprensa – (86) 9942-0452
Biá Boakari – Assessoria de impressa – (86) 9419-3667
Cássio Gomes, presidente da Fundação Quixote - Fotos: Elias Fontenele/PortalODIA.com
A edição 2012 do Salão do Livro do Piauí (Salipi) foi lançada na noite desta quarta-feira (18) no Palácio da Música, Centro de Teresina. O evento comemora dez anos de existência e homenageia, nesta edição, o teatrólogo piauiense Francisco Pereira da Silva, autor da peça “Raimunda Pinto, Sim Senhor!”. Outros homenageados, neste ano, será o escritor Jorge Amado, o cantor Luiz Gonzaga e o teatrólogo Nelson Rodrigues, que se estivessem vivos estariam completando 100 anos.
O professor Cássio Gomes, novo presidente da Fundação Quixote, entidade organizadora do evento, ressaltou a importância do Salão para o inter-relacionamento das culturas: “A literatura tem essa facilidade de diminuir as barreiras e trazer pra nós grandes exemplos de superação no meio literário, como são os cubanos, que apesar de um regime fechado tem dedicado muito espaço para a questão do livro”.
Um dos idealizadores do Salipi, o professor Cineas Santos, disse que a realização do Salão é importante por ser um agente transformador do Estado e que, por isso pertence à toda sociedade piauiense.
O Salipi ocorre no período de 10 a 17 de junho no Complexo Cultural Praça Pedro II. Como parte integrante do Salão, ocorre o Seminário Língua Viva, que está na 15ª edição. Nele serão apresentadas palestras de grandes nomes do universo acadêmico e cultural. Estão confirmados os autores Crsitóvão Tezza, Ignácio de Loyola Brandão, José de Nicola, a atriz Bruna Lombardi e as palestrantes estrangeiras Isabel Ferreira (Angola), Roxana Pineda (Cuba) e Ana Luisa Amaral (Portugal).
Homenagem
A cerimônia de lançamento do Salipi também prestou homenagens a dois nomes ligados ao meio cultural piauiense e que faleceram recentemente: o publicitário Marcus Peixoto e o professor de balé Helly Batista.
Tiago Peixoto, filho de Marcus, lembrou que o festival Piauí Pop, idealizado pelo pai, era um dos principais parceiros do Salão. Nos dias que antecediam a feira, era realizado o Intervalo Pop. O projeto reunia música e literatura nos pátios de escolas públicas e privadas da capital e foi responsável por revelar várias bandas do cenário local.
O professor Helly Batista, falecido em março, foi homenageado com apresentações de balé realizadas por alunos de sua escola de dança.
Concurso Jovens Escritores
Outra parte integrante do Salpi é o concurso Jovens Escritores. Desenvolvido pelo Sistema O Dia de Comunicação em parceria com a Fundação Quixote, o projeto, que está na 7° edição, busca revelar e incentivar a prática da leitura e da escrita em crianças e jovens do ensino fundamental e médio.
O tema a ser trabalhado nesta edição do concurso é “Água:O Bem Mais Precioso”. O concurso será subdividido em categorias de acordo com o ano escolar.
Uma parceria do Sistema de Comunicação O DIA e a Fundação Quixote, o concurso Jovens Escritores entra em sua 7ª edição, em 2012, enfocando o tema “Água: o Bem Mais Precioso”. Integrando a programação do Salipi – Salão do Livro do Piauí. O concurso movimenta crianças e jovens do ensino fundamental ao médio, descobrindo talentos e incentivando a prática da leitura e da escrita.
A professora Jasmine Malta, coordenadora do Salipi, acentua que cada ano cresce o número de participantes e, com ele, a qualidade dos trabalhos apresentados: “Teresina tem um processo educativo voltado para a leitura ímpar, entre as outras capitais do país”, destaca. Jasmine Malta diz ainda que o concurso busca a descoberta de novos talentos na área da escrita, acrescentando que os jovens e as crianças que participam do certame veem no futuro um trabalho voltado para a escrita, para a leitura.
A respeito do tema deste ano, Jasmine observa que a água tem sido alvo de discussões nos últimos anos, em todas as esferas, no mundo inteiro: “A preocupação ecológica tem sido foco de atenção do concurso, então a água, vista hoje como uma jóia preciosa, é um tema oportuno que deve ser, cada vez mais discutido entre crianças e jovens”, ressalta. A diretora do Comercial de O DIA, Renata Miranda, também observa a importância do tema, acrescentando a preocupação com o meio ambiente deve ser uma constante nas discussões.
Sobre a realização do Jovens Escritores, Renata Miranda argumentou que a parceria O DIA/Fundação Quixote tem resultado em um trabalho dos mais importantes, “porque envolve educadores, estudantes e empresários incentivando a leitura, a escrita, a educação como caminho para um futuro promissor. “Um jornal não é somente um veículo para informação, mas também para promover a educação, participando de eventos que incentivem o estudo, o crescimento pessoal”, assinala.
Renata Miranda lembra que o concurso Jovens Escritores contempla alunos de escolas pública e privada, sem nenhuma restrição, além de envolver professores, diretores e o empresariado. Concluindo, ela pontua a forma como é desenvolvido o concurso: “Procuramos trabalhar esse processo de maneira lúdica, no sentido de que crianças e jovens atentem para a importância dessa iniciativa”.
Vencedora do primeiro lugar, na categoria 3º ao 5º anos, Vitória Emilly Rilde Lima, 10 anos, disse que vencer o concurso foi uma grande alegria para ela, principalmente por se tratar de um certame cultural: “Participar do Jovens Escritores foi para mim um incentivo para eu ler mais e continuar a escrever”, disse, deixando claro que vai participar novamente do concurso.
Regulamento
O tema geral do VII Concurso Jovens Escritores é “Água : O Bem Mais Precioso”, desenvolvido em subtemas de acordo com a categoria: para o Ensino Fundamental Menor (1º. e 2º anos) a produção de frase e ilustração com o tema “A Água no Futuro de Minha Cidade”; Ensino Fundamental Menor (3º. até 5º anos), redação sobre “Preservação da água Garante o Futuro de Todos”; Ensino Fundamental Maior (6º. ao 9º anos), redação “A Água é a Preservação das Novas Gerações”.
Já os alunos do 1º ao 3º anos do Ensino Médio terão de produzir uma dissertação, ou poema, com o tema “Água: A Maior Jóia da Humanidade”. Nesta edição, o Concurso Jovens Escritores também irá valorizar a criação dos professores que organizam os trabalhos de seus alunos, orientando-os quanto à produção textual exigida. O professor orientador poderá inscrever seu texto para participar, junto aos alunos concorrentes, bastando anexar apenas um único exemplar de sua produção quando da entrega do material de seus orientandos.
Os critérios de avaliação dos textos, conforme o nível de escolaridade seguem as habilidades de escrita exigidas para as referidas séries a ser decidida pela Comissão Avaliadora. Letra de forma, fuga ao tema, tinta vermelha ou qualquer identificação fora do local (capa) anularão os trabalho. As propostas deverão ter título, ser inscritas a punho com caneta de tinta azul ou preta, sem rasuras, em todos os níveis e fases do concurso.
Vem aí o maior evento literário do Estado. A décima edição do Salão do Livro do Piauí – Salipi e 15ª edição do Seminário Língua Viva serão lançadas hoje, 18, às 19h, no auditório do Palácio da Música. O Salão, que acontece no período de 10 a 17 de junho, celebra o teatrólogo Francisco Pereira da Silva – autor de peças que focam o nordeste, como “Raimunda Pinto, Sim Senhor!”.
Este ano, além de Francisco Pereira, o evento celebra ainda o centenário de nascimento do cantor Luiz Gonzaga, do teatrólogo Nelson Rodrigues e do escritor Jorge Amado. Segundo Wellington Soares, um dos organizadores do Salipi, o evento cresce a cada ano, e é importante mantê-lo como referência para a cultura do Estado.
As atividades do Salão irão ocupar o espaço que compreende a Praça Pedro II, Theatro 4 de Setembro, Clube dos Diários e Central de Artesanato Mestre Dezinho, e a expectativa é a de que o evento receba quase 200 mil visitantes.
Ignácio de Loyola Lopes Brandão nasceu em Araraquara – SP, no dia 31 de julho de 1936, dia de Santo Ignácio de Loyola, filho de Antônio Maria Brandão, contador, funcionário da Estrada de Ferro Araraquarense, e de Maria do Rosário Lopes Brandão. Foram, ao todo, cinco irmãos: Luiz Gonzaga (1933), Francisco de Assis (1934 – já falecido), Ignácio, José Maria (1946 – já falecido) e João Bosco (1953).
Inicia seus estudos na escola primária de D. Cristina Machado, em 1944, onde cursa o primeiro ano. No ano seguinte transfere-se para a escola da professora D. Lourdes de Carvalho. Seu pai, que chegou a publicar histórias em jornais locais e que conseguiu formar uma biblioteca com mais de 500 volumes, o incentivou a ler desde que foi alfabetizado. Fascinado por dicionários, chegou a trocar com seus colegas de classe palavras por bolinhas de gude e figurinhas. Mais tarde, esse fato acabou se transformando no conto “O menino que vendia palavras”, primeiro a ser publicado pelo autor.
Em 1946, passa a estudar no Colégio Progresso de Araraquara. Participa de concurso de desenho patrocinado pelo Consulado da França com o tema “Como você vê a Paris libertada”, sendo agraciado com os livros “Pinóquio” e “O barba azul”.
Para cursar o ginásio, em 1948 ingressa no Colégio Estadual e Escola Normal Bento de Abreu, hoje Escola Estadual Bento de Abreu. Nesse período escreve seu primeiro romance num caderno, com o título de “Dias de Glória”, policial cuja ação se passa em Veneza.
Em 1955, inicia o curso científico, muito embora admita hoje que foi por engano. “Deveria ter me inscrito no clássico, mais apropriado para quem pretendia se dedicar a Humanas”.
A Folha Ferroviária, semanário da cidade de Araraquara, publica no dia 16 de agosto de 1952 uma crítica do filme “Rodolfo Valentino”, primeiro texto de Ignácio. Dias depois, o jornal Correio Popular daquela cidade a reproduz.
Dado o primeiro passo, o precoce escritor passa a escrever reportagens, críticas de cinema e entrevistas em outro diário de Araraquara, O Imparcial. Nele aprende a arte da tipografia, lidando com composição com linotipo, clichê em zinco e paginação em chumbo. Em 1955 inaugura a primeira coluna social da cidade.
Se apaixona pelo cinema e participa, em 1953, das filmagens de “Aurora de uma cidade”, semidocumentário dirigido por Wallace Leal. No ano seguinte funda o Clube de Cinema de Araraquara.
Concluído o curso científico, em 1956, muda-se para São Paulo e vai trabalhar no jornal Última Hora, tendo ali permanecido por nove anos. Um fato interessante marca sua admissão. Aguardando para ser entrevistado, ouve o chefe de reportagem perguntar quem sabia falar inglês, pois precisava de uma entrevista com o irmão do presidente do Estados Unidos, General Eisenhower, que se encontrava na cidade. Sem pestanejar o biografado disse “Eu sei”. Fez a entrevista, com seu inglês capenga aprendido no ginásio e nos filmes que assistiu em Araraquara. Sua entrevista teve chamada de primeira página. Como seu francês, também aprendido no ginásio, era bem melhor que o inglês, ganhou status de entrevistador de personalidades internacionais.
Seu gosto pelo cinema permanece e, em 1961, participa como figurante de O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte, baseado em peça homônima de Dias Gomes, vencedor no Festival de Cannes em 1962.
No ano seguinte parte para a Itália, onde pretendia trabalhar como roteirista em Cinecittà. Para poder viver por lá, enquanto seu sonho não se realiza, manda reportagens para a Ultima Hora, faz sinopses de roteiros e faz coberturas — como a da morte do Papa João XXIII — para a TV Excelsior. Nessa época afirma que assistiu 53 vezes ao filme “Oito e meio” de Federico Fellini, o que, segundo admitiu, o influenciou na feitura do seu romance “Zero”.
Na sua volta ao Brasil, começa a escrever o romance “Os imigrantes”, com seu amigo araraquarense José Celso Martinez Correa. Nessa época Zé Celso dirigia a peça de grande sucesso, “Os pequenos burgueses”, que Ignácio afirma ter assistido mais de 100 vezes. O romance, por não haver acordo quanto ao nome do personagem principal, não chegou a ser concluído.
Em 1965, usando de uma divulgação inovadora, lança seu primeiro livro: “Depois do sol” (contos).
No ano seguinte começa a trabalhar na revista Cláudia, como redator, chegando a redator chefe dois anos depois.
Em 1968, ocorre o lançamento de “Bebel que a cidade comeu”, seu primeiro romance. O livro é adaptado para o cinema por Maurice Capovilla, com Rossana Ghessa no papel-título e roteiro do próprio Ignácio, Capovilla e Mário Chamie. O filme recebe o Prêmio Governador do Estado de São Paulo de “Melhor Roteiro Cinematográfico”. Ainda nesse ano, o escritor recebe o Prêmio Especial do I Concurso Nacional de Contos do Paraná por “Pega ele, Silêncio”, publicado posteriormente em “Os melhores contos do Brasil”. Sua mãe falece, aos 60 anos.
Baseado em seu conto “Ascensão ao mundo de Annuska”, publicado em “Depois do sol”, Francisco Ramalho filma “Anuska, manequim e mulher”, em 1969.
No ano seguinte, casa-se com a Maria Beatriz Braga, psicóloga, ligação que duraria até 1978. Trabalha nas revistas “Realidade” e em “Setenta”.
Contratado para editar a versão brasileira de “Planeta”, a primeira revista esotérica do Brasil, em 1972. Nasce seu primeiro filho, Daniel.
Desde 1960 Ignácio tinha na cabeça uma idéia surgida de um conto — sobre um grupo de amigos que vai a uma vila em busca de um garoto que teria música na barriga — escrito para uma antologia de histórias urbanas organizada por Plínio Marcos para a Editora Senzala e que não chegaria a ser lançada. Escreveu, depois, diversas novelas paralelas a ela, ao mesmo tempo em que colecionava recortes de jornais, prospectos e anúncios. Com isso, reuniu material que lhe permitia ter um retrato sem retoques do homem comum, vivendo numa cidade violenta e num clima ditatorial. Em 1974, escreve o romance, com 800 páginas iniciais, sob o título “A inauguração da morte”.
Feita a primeira revisão, são cortadas 150 páginas. Entrega, então, o texto ao amigo e escritor Jorge de Andrade, que sugeriu novos cortes — acatados pelo autor. Jorge comenta o romance com Luciana Stegagno Picchio, que lecionava Literaturas Portuguesa e Brasileira na Universidade de Roma. Luciana se interessa pelo texto, já com o título de “Zero” e, após lê-lo, encaminha o livro para a editora Feltrinelli, de Milão, que o publica em uma série intitulada “I Narratori”, onde Ignácio fica na companhia do ilustre João Guimarães Rosa, único brasileiro até então publicado.
Em 1975, após o lançamento de “Zero” no Brasil, Ignácio participa de inúmeros encontros com seus leitores, debatendo sua obra e a situação do país. No primeiro encontro, realizado no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, ele contou com a presença de João Antônio, Wander Priolli, José Louzeiro, Antônio Torres e Juarez Barroso.
Em julho de 1976 “Zero” recebe o prêmio de “Melhor Ficção”, concedido pela Fundação Cultural do Distrito Federal. Em novembro o livro é censurado pelo Ministério da Justiça e sua venda é proibida. Lança “Dentes ao sol” (romance) e “Cadeiras proibidas” (contos) e, em 1977, o infanto-juvenil “Cães danados”.
Escreve “Cuba de Fidel: viagem à ilha proibida” (livro-reportagem), após participar, em 1978, do júri do Prêmio Casa de Las Américas.
“Zero” é liberado pela censura em 1979. Passa a viver com a jornalista Angela Rodrigues Alves, união que duraria até 1982. Deixa o jornalismo para se dedicar integralmente à literatura.
Nova York, Flórida, Georgetown, Albuquerque, Tucson, San Diego foram as cidades em cujas universidades o autor fez conferências, em 1980, a convide da Fundação Fullbright, dos EUA.
Em 1981, sai o romance “Não verás país nenhum”. Visita a Nicarágua por ocasião das comemorações do segundo aniversário da Revolução Sandinista.
“É gol” (narrativa-homenagem ao futebol) é lançado em 1982. A convite da Fundação Alemã de Intercâmbio Cultural, viaja em março para Berlim, onde permanece por dezesseis meses. Lá, publica “Oh-ja-ja-ja”, uma seleta de seu diário berlinense, ainda inédito em português.
Voltando ao Brasil, em 1983, publica “Cabeças de segunda-feira” (contos).
Em 1984, lança “O verde violentou o muro”, onde narra sua experiência alemã. O senador italiano Amintore Fanfani lhe entrega o Prêmio IILA, do Instituto Ítalo-Latino-Americano, pelo romance “Não verás país nenhum”, publicado na Itália no ano anterior. Assume a vice-presidência da União Brasileira de Escritores, onde permanecerá até 1986.
Participa das Jornadas Literárias na cidade de Passo Fundo (RS), em 1985. Desde então, lá comparece a cada dois anos para participar do evento. Lança o romance “O beijo não vem da boca”.
Em 1986, volta a Berlim, como convidado especial, para participar dos festejos dos 750 anos da cidade. Participa de encontro sobre literatura brasileira promovido pela Universidade de Colônia, na Alemanha, ao lado de João Ubaldo Ribeiro e Haroldo de Campos. Casa-se com a arquiteta Márcia Gullo e participa, como figurante, de “No país dos tenentes”, filme de João Batista de Andrade.
“O ganhador” (romance) e “O homem do furo na mão” (contos) são lançados em 1987. O primeiro receberia, no ano seguinte, os Prêmios Pedro Nava (da Academia Brasileira de Letras) e Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) na categoria “Melhor Romance”. “Não verás país nenhum” é encenado no Teatro José de Alencar, em Fortaleza, sob a direção de Júlio Maciel.
Em 1988, lança o volume de contos e crônicas “A rua de nomes no ar”. No ano seguinte, “Manifesto verde”, que havia sido publicado em 1985 como brinde do Círculo do Livro, é lançado comercialmente. Publica o álbum infanto-juvenil “O homem que espalhou o deserto”.
Como diretor de redação da revista Vogue, Ignácio volta ao jornalismo, em 1990. Passa a escrever crônicas para o jornal Folha da Tarde.
“Zero”, um espetáculo de dança realizado pelo Balé da Cidade, inspirado em seu romance homônimo, é apresentado no Teatro Municipal de São Paulo no ano de 1992. Vai à Zurique, na Suíça, onde participa de leituras de sua obra.
Em 1993, começa a escrever uma crônica no caderno “Cidades” de “O Estado de São Paulo” que, a partir de 2000, seria transferida para o “Caderno 2?. Seu pai falece, aos 88 anos.
No ano de 1995 realiza três lançamentos: “O anjo do adeus” (romance), “Strip-tease de Gilda” (crônicas) e “O menino que não teve medo do medo” (infanto-juvenil).
Afligido por fortes tonturas, descobre existir um aneurisma cerebral. Submete-se, em maio de 1996, a uma bem-sucedida cirurgia, que dura onze horas.
Publica “Veia bailarina”, em 1997, onde conta sua experiência como aneurisma. Em 15 de abril inaugura, no Instituto Moreira Salles de São Paulo, a série “O escritor por ele mesmo”.
Em 1998, publica “Sonhando com o demônio”, seu terceiro livro de crônicas. No ano seguinte é lançado “O homem que odiava a segunda-feira (contos).
Recebe o Prêmio Jabuti de “Melhor Livro de Contos”, em 2000, por “O homem que odiava a segunda-feira”.
O prefeito Elmano Férrer (PTB) anunciou nesta sexta, 04/05/2012, a parceria da Prefeitura de Teresina na realização da 10ª edição do Salão do Livro do Piauí. O apoio foi assegurado durante encontro com parte da equipe organizadora do evento. Uma das solicitações apresentadas pela equipe do Salipi foi a iluminação da Praça Pedro II.
“Já estamos trabalhando na melhoria da iluminação em toda cidade e, certamente, a Praça será beneficiada”, garantiu Elmano, destacando ainda que será feito um embelezamento do espaço completo com poda de árvores e trabalhos de pintura. Além disso, o prefeito disponibilizou auxilio com a infraestrutura e logística do Salipi.
De acordo com o prefeito Elmano Férrer, a Prefeitura de Teresina não poderia ficar de fora do Salipi pela grande importância do evento para a cultura. “O Salão já faz parte do calendário do piauiense, e consegue transpor barreiras a cada ano”, afirmou.
Para o professor Luiz Romero, membro da comissão organizadora, a parceria da Fundação Quixote, entidade responsável pela realização do Salipi, com a Prefeitura, é essencial para a realização do evento. “Dependemos da colaboração dos órgãos públicos, e a prefeitura sempre está ao nosso lado”, afirmou. Romero enfatiza que o prefeito Elmano Férrer tem interesse genuíno no crescimento do Salão.
O evento, que já homenageou escritores como Fontes Ibiapina, Da Costa e Silva, H. Dobal e Raimundo Santana, este ano celebra o teatrólogo Francisco Pereira da Silva e traz o tema “O fim do mundo é não ler”. O Salipi acontece no período de 10 a 17 de junho, na Praça Pedro II, e já estão confirmadas as participações de Bruna Lombardi, José Castelo, Cristovão Tezza, José de Nicola, Paulo José Cunha e Lorena Menor.
Durante a reunião no Palácio da Cidade, também estavam presentes Jasmine Malta e Edilva Lima, integrantes da organização, além da secretária municipal de Finanças, Vanessa Neiva, e o secretário municipal de comunicação, José Maria Vieira.
Autor: Ivana Souza – Agência Trabalhista de Notícias, com informações da prefeitura de Teresina