Homenageados

Centenário do Pai da Historiografia Piauiense

Biografia

Odilon José Nunes (Amarante, 10 de outubro de 1899 — Teresina, 22 de agosto de 1989) foi um professor e historiador brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras. Primeiro ocupante da cadeira 34, cujo patrono é Anísio Brito.

Filho do empresário, político e capitão da Guarda Nacional Gil José Nunes e de sua esposa e prima, D. Presilina Liberalina Ribeiro do Bonfim, ambos oriundos de tradicionais famílias nordestinas.

Fez seus estudos regulares em Amarante, porém, consagrou-se como autodidata, sedimentando conhecimento na leitura dos clássicos. Depois de peregrinações, na juventude, por diversos recantos do nordeste e sudeste do Brasil, retorna à sua cidade natal, dedicando-se com sacerdócio ao magistério, profissão que abraçou por toda a vida. Logo, fundou o Colégio Amarantino, que funcionou de 1928 a 1932, proporcionando à juventude de sua terra a oportunidade de abeberar-se em sábias lições.

Mais tarde, muda-se para Teresina, Capital do Estado, dando continuidade à sua atividade profissional. Tornou-se professor e diretor da Escola Normal Oficial do Estado e do Liceu Piauiense, duas tradicionais escolas. Foi, também, Inspetor Técnico do Ensino, coordenador do Censo Estatístico Escolar, diretor da Instrução Pública do Estado e membro do Conselho Estadual de Educação, ocupando desta forma, os mais destacados cargos na educação piauiense.

Apaixonado pela historiografia dedicou-se com afinco e denodo à pesquisa histórica, legando uma obra de repercussão nacional. Foi sempre, na medida do possível, às fontes primárias, elucidando passagens até então obscuras de nossa história. Era um pesquisador criterioso, um analista profundo, um sábio exegeta que sabia prestigiar a fonte documental cotejando-a com outros dados de pesquisa. Por essa razão, sua obra é altamente credenciada e um divisor de águas na historiografia piauiense.

Estreou em livro no ano de 1931, com O Piauí na história, seguindo uma série de obras de alto valor, que consagraram definitivamente seu nome na historiografia brasileira. Aos poucos essa obra vem sendo reeditada por iniciativa da Academia Piauiense de Letras e de instituições oficiais.

Como reconhecimento pelo seu trabalho de historiador recebeu da Universidade Federal do Piauí o título de doutor “honoris causa”. Também, as medalhas do “Mérito Joaquim Nabuco”, de Pernambuco, e do “Mérito Visconde da Parnaíba”, do Instituto Histórico de Oeiras. Pertencia à Academia Piauiense de Letras e ao Instituto Histórico e Geográfico do Piauí.

Odilon Nunes foi casado com D. Maria do Carmo Veras Nunes, não deixando descendência.

Legou sua biblioteca à “Casa Odilon Nunes”, museu e biblioteca fundados em Amarante, no “Casarão dos Nunes”, residência de seus genitores, hoje mantido pela Estado.

Em 1999, por iniciativa da Academia Piauiense de Letras, Conselho Estadual de Cultura e Fundação Estadual de Cultura e do Desporto, entre outras instituições culturais, foi comemorado o centenário de seu nascimento com promoção de ciclos de palestras e debates sobre sua obra. Também, a Academia de Letras do Médio Parnaíba, com sede em Amarante, que o elegeu para patrono de uma de suas cadeiras, promoveu debate sobre sua obra. A Assembleia Legislativa do Estado do Piauí designou o Museu do Piauí com o nome do historiador. A Prefeitura de Teresina criou um centro de formação educacional com o seu nome e a Câmara Municipal da mesma cidade o homenageou com o nome de uma rua. Dessa forma, o Piauí reconhece o trabalho do inolvidável mestre. Aliás, sua obra vem merecendo apreciação de muitos intelectuais, a cada dia aumentando sua fortuna crítica.

Segundo o historiador José Honório Rodrigues: “Odilon Nunes é um pesquisador notável, fiel à verdade histórica, buscada nas fontes primárias. Poucos Estados terão um pesquisador e historiador tão seguro, tão correto, tão autêntico” (Jornal do Brasil, 28.04.1973).

Obras do autor

  • O Piauí na História (1931)
  • Primeiros Currais (1957)
  • Economia e Finanças: Piauí Colonial (1959)
  • Devassamento e Conquista do Piauí (1960)
  • O Piauí, seu povoamento e seu desenvolvimento (1960)
  • Independência do Piauí (Conferência – 1960)
  • Súmula de História do Piauí (1963)
  • São Gonçalo de Amarante (Artigo – 1967)
  • A mudança da capital de Oeiras para Teresina (1967)
  • Pesquisas para a história do Piauí – 4 volumes
  • O Piauí: escorço histórico (sem data)
  • Um desafio da historiografia do Brasil (1979)
  • Depoimentos Históricos (1981)
  • Casos e cousas da historiografia piauiense (Revista Presença, 1983)
  • Documentos coligidos (sem data)
  • Raízes do Terceiro Mundo (1987)

REFERÊNCIAS

1. Odilon Nunes e a pesquisa histórica.In: Miranda, Reginaldo.Piauí em foco. Teresina: COMEPI,2003

2. CELESTINO,Erasmo. Odilon Nunes: historiador e educador. Teresina: Instituto Dom Barreto, 1996

3. QUEIROZ, Teresinha. Odilon Nunes: história e erudição. In: NUNES, Odilon. Pesquisas para a história do Piauí. Vol. I. Teresina: FUNDAPI/Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 2007

4. FONSECA NETO, Antônio. Odilon, cem anos de presença. In: Revista Presença. N.º 44. Teresina: 2009

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Odilon_Nunes

ODILON NUNES

Se existiu (ou existe) entre nós algum intelectual digno de toda reverência, trata-se, indiscutivelmente do Historiador Odilon Nunes. Mestre Odilon, como se tornaria conhecido, reunia em si alguns dos atributos que caracterizam os verdadeiros sábios: inteligência fulgurante, integridade intelectual, paciência, tenacidade e, acima de tudo, a humildade e o desprendimento para compartilhar o que sabia. Sua profícua existência divide-se em dois momentos: no primeiro, foi professor e semeador de escolas nos sertões do Piauí e em outros estados do país. A partir de 1930, dedicou-se à pesquisa histórica e legou às gerações futuras uma obra de importância inquestionável. Ao recebe-lo, na Academia Piauiense de Letras, o também historiador Joaquim Chaves afirmou: “Construístes-nos, com vossa História, um edifício sólido, bem traçado, alicerçado na rocha viva de uma documentação escolhida e de uma crítica inteligente e sensata. Apareçam-nos, agora, aqueles que irão adorná-lo com obras de arte, para deleite e gáudio dos espíritos mais requintados. Ninguém poderá, porém, de hoje em diante, prescindir de vossa obra, em se tratando de História do Piauí”. A leva de novos historiadores piauienses confirmaria a veracidade da afirmação de Chaves.

Em junho de 1931, o mestre escola Odilon Nunes, preocupado com a inexistência de compêndios de história do Piauí que pudessem ser utilizados em sala de aula pelos professores piauienses, editou, por sua conta e risco, O Piauhy na História, texto de caráter eminentemente didático. Modesto adverte: “Falece-me a capacidade para produzir intelectualmente algo de grande que desperte a admiração e os elogios dos homens cultos de minha terra. Anima-me, entretanto, o grande amor que voto à instrução primária do Piauí, o desejo ardente de contribuir para seu progresso e, sobretudo, a vocação que impõe minha atividade não se limite exclusivamente ao ministério cotidiano, dentro da escola”. Setenta e seis anos depois, o livro de Odilon continua oportuno, quer pela metodologia usada – narrativa pontilhada de diálogos, quer pela linguagem adequada ao público a que se destinava.

Embora tenha iniciado suas pesquisas históricas nos anos 30, só na década de 50, com a criação do Centro de Estudos Piauienses e da Revista Econômica Piauiense por R. N. Monteiro de Santana, Odilon Nunes passaria a publicar regularmente as primeiras versões de suas pesquisas, alicerces de sua obra mais importante, Pesquisas para a história do Piauí. Na década de 60, o governo do Estado publicou os três primeiros volumes das Pesquisas. Em 75, editou-se, finalmente, a obra completa constituída de 4 volumes.

Como bem observou Teresinha Queiroz, “As pesquisas de Odilon Nunes dificilmente serão superadas por um historiador individual, até porque se tornou impossível uma obra feita nos moldes em que ele produziu a sua – buscando simultaneamente a totalidade do social e a exaustão documental. Compulsando milhares de documentos durante décadas, num esforço individual notável, até porque praticamente autofinanciado, resultado de uma promessa de vida, de uma missão auto-imposta, de uma vontade cidadã tão intensa que se transformou quase que no único motivo de vida e trabalho”.

Fragmento de Texto extraído da Coleção Grandes Textos, editada pela FUNDAPI (Fundação de Apoio Cultural do Piauí) através do Projeto Cultural A. Tito Filho, Prefeitura de Teresina e Fundação Cultural Monsenhor Claves, em 2007.